O poder do dinheiro

Vivemos dia-após-dia escutando sobre crises econômicas mesmo em países que são considerados ricos. Mas por que acontece isso? A riqueza é ter mais bens ou ter mais dinheiro?
INÍCIO
No passado não havia compras pois não havia dinheiro, apenas o escambo (trocas). O pouco que sobrava da subsistência era trocado pelo excedente dos outros. O sistema de produção era feito inteiramente por uma única pessoa. Com o passar do tempo iniciou-se o processo de “especialização”, onde cada pessoa fazia uma parte do produto. A especialização e o aumento natural da população a cada dia dificultavam as trocas, demorando-se muitas vezes para encontrar pessoas com objetos de mútuo interesse para o escambo. Então foi criado um objeto que indicava o valor do que havia para troca e que era válido entre todos que possuíam algo para escambo: o dinheiro. O metálico foi criado no século VII a.C. A dificuldade e o perigo de se andar com o dinheiro fez com que as pessoas deixassem dinheiro guardado em cofres, onde era emitido um documento que dizia que a pessoa possuía uma determinada quantia guardada. Depois de algum tempo as pessoas não vinham mais buscar o ouro que haviam deixado, trabalhando apenas com a cédula monetária. É aí que começam os problemas.
OS BANCOS
Antigamente cada cédula possuía valor correspondente em ouro resgatável em bancos. Mas o oportunismo de alguns banqueiros fez com que emitissem cédulas sem a correspondência devida. Os ganhos com guardar dinheiro eram modestos e começou-se a serem oferecidos empréstimos e poupança, ainda que os bancos não tivessem o próprio capital e não tivessem fundos para correspondência das cédulas. A invenção do dinheiro acabou com os feudos e com o feudalismo, criou as cidades, diminuiu o poder dos reis, unificou províncias, legalizou a usura (empréstimos) ainda que fosse crime condenável de morte e considerado pecado pela Santa Igreja. O Banco da Inglaterra começou assim em 1694. O rei Guilherme de Orange estava em dificuldades financeiras como resultado de uma guerra com a França. Os banqueiros emprestaram-lhe 1,2 milhões de libras (uma quantidade expressiva para a época) sob a condição de que fosse pago 8% de juros sobre o valor emprestado e que o rei desse aos banqueiros o direito de emitir crédito. Antes disso, suas operações de emitir recibos por mais dinheiro do que tinham em depósito eram totalmente ilegais. A carta do rei as legalizou. Em 1694 William Patterson obteve a carta para o Banco da Inglaterra. O primeiro banco do mundo foi o italiano “Monte dei Paschi di Siena”, fundado em 1472 com dinheiro de doações à Igreja Católica e que eram emprestados aos pobres.
INFLAÇÃO
O capitalismo funcionou bem até começar a inflação. Um exemplo clássico dela foi o aumento de preços já no Império Romano, causado pela desvalorização dos denários -que eram confeccionados em ouro puro e passaram a ser fabricados com todo tipo de impurezas. O imperador Diocleciano não percebeu isso, e culpou a avareza dos mercadores pela alta dos preços, promulgando em 301 o Edito Máximo, que punia com a morte qualquer um que praticasse preços acima dos fixados. Houve algo parecido no Brasil na Era Sarney. Este governo foi bastante conturbado. Herdeiro dos problemas gerados pelo modelo de desenvolvimento econômico estabelecido durante o regime militar e agravado pelas sucessivas crises internacionais, o governo elaborou vários planos para combater a inflação e estabilizar a economia. O mais notório foi o plano do ministro da fazenda Dilson Funaro, que congelava os preços e aumentava a produção de dinheiro, tendo a população e a SUNAB como fiscalizadores dos preços. A inflação foi reduzida, o desemprego diminuiu, o poder aquisitivo da população cresceu. Mas em poucos meses, o Plano Cruzado já apresentava problemas: muitos produtos desapareceram do mercado e começou a cobrança de ágio, ou seja, o consumidor era obrigado a pagar um tanto a mais sobre o preço estipulado pelo congelamento. Na verdade foram as pressões internacionais que derrubaram tal sistema, porque um simples produtor de queijo em minas que não queria produzir não poderia arrebentar com o governo e com a economia de um país. Outro problema do capitalismo é a especulação, que afeta o mercado de ações.
BOLSA DE VALORES
A Especulação financeira permanece um conceito difícil de ser definido, apesar de relatos detalhados da prática que remontam à Antiguidade, só em fins do século XVIII adquiriu um conceito econômico e mesmo assim, impreciso. Um dos conceitos popularmente aceitos afirma ser a mesma qualquer aposta baseada nas previsões acerca dos desdobramentos econômicos do futuro de um país, um evento, um setor de atividade ou de uma empresa.
Os movimentos das bolsas de valores, por exemplo, resultam em parte de manobras especulativas. Um grande número de agentes (pessoas físicas ou instituições financeiras), a todo momento lançam as suas expectativas uns contra os outros em busca de ganhos futuros ou preservação do capital. Quando uma empresa decide lançar ações ao público se chama abrir o capital, o que é feito através do mercado de ações. Essa iniciativa atrai novos acionistas que injetam dinheiro na empresa. Em caso de lucro, bom para todos. Se houver prejuízo, as perdas também são divididas proporcionalmente. Mas para participar das apostas na bolsa, a companhia precisa primeiro credenciar-se em uma corretora de valores. Essas instituições estão por trás de todas as negociações, fazendo as transações para quem quer investir em ações e mantendo a bolsa financeiramente. O fator mais expressivo com relação à bolsa de valores foi o crack de 1929 na bolsa de Nova Iorque. Os países europeus depois da primeira guerra já não precisavam comprar tudo dos EUA pois já haviam se estabilizado. Essa falta de percepção financeira quebrou os Estados Unidos e os países que vendiam para ele, como o Brasil. Aqui houve a queima de sacas de café para segurar o preço e a compra por parte do governo de parte da produção para tentar evitar a crise.
SOLUÇÃO
A nossa sociedade é sustentada pela economia capitalista. As sucessivas crises e a miséria têm colocado em xeque o capitalismo e já está sendo cogitado um outro sistema econômico para substituí-lo. Mas por qual? Essa é a resposta aguardada por muitos e vale milhões. Há hoje uma tendência ao social no mundo, à assistência e melhoria de vida dos menos favorecidos. Os investimentos só nos ricos mostrou que está levando até os próprios ricos à pobreza. A melhoria da qualidade de vida para todos cria mais pessoas economicamente ativas, e com mais pessoas comprando há mais dinheiro na praça, e maior possibilidade de captá-lo. A assistência do SEBRAE e disponibilização de crédito do BNDES para pessoas que realmente precisam e não para empresas estrangeiras e/ou inadimplentes têm aumentado postos de trabalho e melhorado a renda de muitos. Se o governo não fizer isso, ninguém vai fazer. O problema é que o povo só colocou no governo pessoas que nunca souberam o que é ser pobre, e portanto não tinham noção do que os menos favorecidos sentiam. Mas quando colocaram alguém que era povo para conduzir o país viram que não precisa entender de economia para conduzir bem um país, basta ter honra. O mundo e o sistema econômico não são complicados e o nosso país não é pobre, pois a verdadeira riqueza está nos bens, não na especulação dos investidores. A coerção em vez da imposição tem dado certo com relação a economia. Não precisamos substituir o capitalismo, mas sim humanizá-lo, melhorando os serviços públicos, acabando com o “rouba-mas-faz” e também com o “rouba-e-não-faz-nada”, mais estabilidade nos empregos, mais acesso ao crédito social e urbanismo social. Só quando a base da sociedade for forte o cume estará de pé, do contrário, tudo virá ao chão.
Até uma próxima oportunidade.

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